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Em meio ao avanço da pandemia do coronavírus, o governo anunciou nesta segunda-feira duas medidas – aprovadas em reunião extraordinária pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) – que visam a injetar mais recursos na economia e facilitar a renegociação de crédito de famílias e empresas.

Mesmo com o anúncio das duas ações, a Bolsa brasileira despencou e acionou o circuit breaker, quando as negociações são paralisadas devido à queda de 10% de seu principal índice, o Ibovespa.
A primeira medida dispensa as instituições financeiras de algumas responsabilidades quanto ao risco em operações de crédito realizadas nos próximos seis meses. Com isso, o CMN busca facilitar a renegociação de crédito de empresas e famílias.
O Banco Central, que propôs a medida e a divulgou em nota, avalia que ela possa facilitar a renegociação de R$ 3,2 trilhões em créditos já concedidos, se os tomadores assim o quiserem.

Segundo a instituição, o foco são “financiamentos de empresas e famílias com boa capacidade financeira e que mantêm operações de crédito regulares e adimplentes em curso”. Para o BC, a medida “permitirá ajustes de seus fluxos de caixa, o que contribuirá para a redução dos efeitos temporários decorrentes do Covid-19”.

Com o avanço do coronavírus, muitas empresas podem ter queda de receita com o recuo de vendas devido a medidas restritivas de deslocamento, por exemplo.

A segunda medida, também sugerida pelo BC, permite que os bancos tenham mais espaço para conceder crédito ao modificar regulações que diminuem, temporariamente por um ano, o índice necessário para os “colchões de capital”.

O colchão de capital é uma reserva de recursos obrigatória para enfrentar crises. O BC estima que essa medida pode auxiliar a primeira e aumentar a capacidade de concessão de crédito em R$ 637 bilhões.

Na nota em que comunicou as mudanças, o BC ressaltou mais de uma vez que fará o que for necessário para apoiar a economia neste momento. Afirmou que as medidas são “proativas” e facilitam uma “atuação contracíclica” do bancos e instituições financeiras.

A autoridade monetária também afirmou que monitora a atividade econômica e o sistema financeiro nacional (SFN) de perto e que o sistema “detém atualmente uma das mais robustas situações de solidez da sua história”.

“Esta robustez foi confirmada no último teste de estresse realizado pelo BCB, que demonstrou que o sistema está preparado para enfrentar cenários severos”.

Segundo o BC, a medida tomada nesta segunda-feira está em linha com outras ações do governo federal. A autoridade monetária também citou uma mudança na regra dos depósitos compulsórios feita em fevereiro que liberou R$ 135 bilhões na economia em março.

Sérgio Martes
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